Se o México ganhar hoje duas medalhas de ouro, o que é tão provável quanto Quetzalcóatl descer dos céus em Wuxi e incendiar o estádio, a equipe mexicana provavelmente voltará para casa triunfante, agradecida e acreditando que fez as coisas certas, mas acima de tudo fingindo que os seis dias anteriores não aconteceram... O problema é que eles aconteceram. E o outro problema é que o México não vai ganhar hoje duas medalhas de ouro, digo isso com a mesma certeza com que um adivinho profissional prevê chuva quando o céu está nublado.
Ontem, outros dois mexicanos foram eliminados em Wuxi. A esta altura, isso já não deveria nos parecer estranho, mas ainda assim não deixa de haver aquela sensação estranha quando você percebe que são mais dois que se somam à dúzia de selecionados nacionais eliminados e, quando você faz as contas, descobre que dos 16 que eu tinha, dos 16 que me restavam, agora só me restam dois.
As derrotas de ontem foram dramáticas: Damián Cortés perdeu na primeira rodada contra um africano do Níger (Níger [NIG], não Nigéria [NGR]) que, além de trazer todo o estereótipo africano: alto, forte, incômodo e negro, era também um excelente lutador. Ele venceu o coreano na segunda rodada e chegou às quartas de final, colocando em apuros o russo da AIN. Esse competidor é uma das surpresas que a vida nos reserva, mas mais do que a vida, o mundial.
Damián era um dos perfis que mais esperávamos, mas isso se deve ao fato de ele ser precisamente um dos perfis mais conhecidos e, na conjuntura de fracasso que estamos vivendo, era uma auréola de esperança que lhe foi injustamente atribuída. Na verdade, ele não fez uma luta ruim, mas acho que é hora de encararmos a realidade: mesmo ele, que é um excelente lutador, não está no nível exigido por um campeonato mundial, pelo menos não ainda. Tenho certeza de que o Kid Azteca, um dia desses, será tudo o que se espera dele (talvez até mesmo ele mesmo), não será em breve, mas tenho certeza de que vamos ver isso.
Já não estamos no Kansas...
A outra mexicana que lutou ontem foi Isabella Lovaglio. Eu a vi em eventos na região, mas não sei muito mais sobre sua trajetória. Ontem, ela fez duas boas lutas: contra o Peru, que serviu de aquecimento, e contra a República Tcheca, que era a terceira colocada no ranking e parecia bem mais experiente. Se há algo a destacar na participação de Isabella é que ela teve uma boa atitude na luta e foi superada na área. Que isso sirva de experiência: atitude e otimismo não são suficientes, mas prevejo um grande futuro para ela se conseguir corrigir o resto.
Hoje o México encerra sua participação em Wuxi. Não depositem esperanças nos atletas, não é justo (diz isso alguém que já foi a última esperança da pior equipe da história). Aconteça o que acontecer hoje, alguém tem que perder o emprego, mas perdê-lo de verdade, não por alguns meses como quando voltaram de Paris. Caso contrário, não esperem grandes coisas do taekwondo mexicano daqui em diante.
Venho dizendo isso há anos: o México não tem nada a fazer em eventos de categorias olímpicas, é atualmente a pior equipe da série Grand Prix e os resultados em Paris 2024 falam por si. Depois do que aconteceu aqui e independentemente do que acontecer hoje, devo ampliar essa frase: o México não tem nada a fazer em eventos de nível mundial.
A seleção nacional precisa ser queimada e reconstruída, já estamos nesse nível... Agora sim, que desça Quetzalcóatl.


Que pena! Como assim, queimá-la? Hahaha, eu sei, a participação foi assim tão decepcionante.
Não é justificativa, mas os menos culpados são os atletas, que hoje cumpriram com ser os melhores do México e venceram o processo de avaliação, e o que poderia não ser suficiente ter um conselho técnico (perigoso! , melhor nem confiar), eles são o reflexo de processos tardios, de formação da seleção a dias, semanas, de um mundial, de uma péssima equipe de treinadores, (novatos, na minha opinião, CNAR), de uma preparação muito ruim (treinar 2-3 horas por dia para uma Copa do Mundo é ridículo, justificar com testes físicos que não levam a nada também é), do péssimo ou inexistente planejamento de eventos que permitam a preparação, da quase inexistente experiência fora do continente, do pouco contato com atletas de somatótipos como os nigerianos, europeus ou asiáticos.
Como você disse, ir para um mundial para ganhar experiência é o mais irônico, seria possível esperar um resultado melhor?
Eu me pergunto, se eu, como pai de família, estou envolvido e atento ao calendário anual da World TKD, porque os verdadeiros responsáveis por isso não o fazem, estamos falando que as pessoas que estão envolvidas nisso são incompetentes ou têm as mãos atadas por questões econômicas, embora eu apostaria em ambos os casos.
Se nem mesmo para planejar uma viagem eles conseguem se organizar, já vimos isso no mundial de Sofia, situações que me permitem afirmar que nada mais é possível, porque Deus é grande!
Enfim, minha conclusão: um sistema, uma organização, uma direção que não faz sentido...