Em uma iniciativa que reforça a representação africana e a voz dos atletas no âmbito olímpico, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou a nomeação de Cheick Sallah Cissé, o icônico praticante de taekwondo da Costa do Marfim e campeão olímpico de Rio 2016, como um dos cinco novos membros de sua Comissão de Atletas. Essa nomeação, divulgada no último dia 4 de dezembro, visa completar a composição do órgão a tempo para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, garantindo maior diversidade e uma perspectiva global nas decisões do COI.

Kirsty Coventry, presidente do COI

A presidente do COI, Kirsty Coventry, que promoveu as nomeações em consulta com a presidente da Comissão, Emma Terho, destacou a importância de incorporar vozes experientes como a de Cissé.

“A Comissão de Atletas é essencial para garantir que os atletas continuem no centro de tudo o que fazemos e que suas vozes orientem nossas decisões”,

afirmou Coventry em um comunicado oficial. Terho, por sua vez, deu as boas-vindas aos novos membros: “Tenho o prazer de dar as boas-vindas a Soraya, Husein, Cheick, Olufunke e Mariana à Comissão de Atletas. O compromisso e a experiência deles irão enriquecer o serviço prestado a todos os atletas do mundo”.

Cissé, de 32 anos e natural da Costa do Marfim, não é um desconhecido nos círculos olímpicos. Nascido em 19 de setembro de 1993, o atleta de taekwondo alcançou a fama nos Jogos do Rio de Janeiro 2016, onde conquistou a medalha de ouro na categoria acima de 80 kg com um chute giratório na cabeça nos segundos finais contra o britânico Lutalo Muhammad, em uma luta que terminou em 8 a 6. Essa vitória não só rendeu a primeira medalha de ouro olímpica para seu país no taekwondo, como também o transformou em um símbolo de perseverança e excelência na África.

Seu palmarés é impressionante: tricampeão africano de taekwondo, bicampeão de ouro nos Jogos Africanos (2015 e 2019) e vencedor do Campeonato Mundial de Taekwondo na categoria peso pesado em 2023, realizado em Baku, no Azerbaijão. Além disso, ele participou dos Jogos de Tóquio 2020, consolidando seu status como uma das figuras mais destacadas do esporte.

Fora do tatame, Cissé dirige uma fundação dedicada a promover o taekwondo entre os jovens da Costa do Marfim, incentivando valores como a disciplina e a igualdade. Recentemente, em maio de 2025, foi nomeado embaixador da Declaração Universal da Dignidade Humana das Nações Unidas, onde defende o impacto do esporte nos direitos humanos e na sustentabilidade ambiental.

Juntamente com Cissé, o COI incorpora outros quatro atletas de elite: Soraya Aghaei Haji Agha (Irã, badminton), Husein Alireza (Arábia Saudita, remo), Olufunke Oshonaike (Nigéria, tênis de mesa) e Mariana Pajón (Colômbia, ciclismo BMX). Essa seleção eleva a Comissão para 23 membros – 13 mulheres e 10 homens – provenientes de todos os continentes, incluindo um representante da Equipe Olímpica de Refugiados, e abrangendo 15 esportes de verão e 5 de inverno. Para Oshonaike, compatriota africana de Cissé, este marco representa a primeira vez que uma nigeriana integra o órgão, destacando o papel crescente da África na governança olímpica.

O copresidente da Comissão de Atletas da World Taekwondo, cargo que Cissé ocupa atualmente, traz uma perspectiva única para a mesa do COI. Sua experiência na defesa dos direitos dos atletas o posiciona como uma ponte entre as federações internacionais e o movimento olímpico.

Com os Jogos de Los Angeles 2028 se aproximando, essa nomeação não apenas celebra o legado de Cissé, mas também reforça o compromisso do COI com a equidade e a representatividade. A África, por meio de figuras como ele, continua ganhando espaço no cenário esportivo mundial.

Chava P.

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